Se fosse pedido pra que as pessoas que me conhecem me definissem, em um lance como aquelas vexatórias fitas de depoimentos que você recebe no seu aniversário, ou em uma análise botequística em que uns discorrem sobre os outros, transformando a bebedeira em declarações públicas de afeto e terapia de grupo, tenho certeza que um ponto comum em todos os comentários seria o fato de eu ser uma grande tagarela.
E isso é a mais pura verdade. Sou tagarela assumida e feliz. Adoro falar, adoro as palavras e falo pelos cotovelos. Sou assim desde que me entendo por gente.Mas sou uma tagarela-de-bom-estilo. Falo baixo, pausademente. Ah, e a despeito da minha falação, aprendi com os cultores do silêncio da minha família, a ser uma boa ouvinte também. Gosto de ouvir, melhor ainda se for um falante como eu, adoro encontrar por aí burrinhos do Shrek.
Nunca considerei minha tagarelice, necessariamente, uma virtude, embora, graças a ela, eu jamais tenha, por exemplo, me sentido deslocada ou isolada em um lugar em que eu estivesse pela primeira vez, ou diante de pessoas com quem nunca tive contato antes. Mas o fato é que nunca a considerei uma virtude, tampouco, um vício. Era só uma característica, aliás, uma das minhas mais marcantes.
Bom, mas no meu caso, ao menos, uma característica que traz amarrada em si uma coisa boa e uma ruim, eu me deparei, esses dias, com meu medo terrível da solidão.
Eu achava que estava aprendendo a apreciar minha própria companhia, tudo bobagem. Fico em casa sozinha e converso com os cactos (são oito e todos eles têm nome), converso com o Homer (meu mezzo fox paulistinha mezzo outra-coisa-que-não-sei, que anda muito dengoso ultimamente, mal de cabeça – literalmente).
O silêncio me assusta. Caramba, como assusta! Não aquele silêncio que compreende todas as palavras, que a gente experimenta ao lado de algumas pessoas especiais, nem aquele à que temos que ceder pra cabeça poder funcionar. É o silêncio da ausência de tudo mesmo, aquele danado.
Isso também traz outros infortúnios, como por exemplo, o fato de você não conseguir deixar de responder aos imbecis. E tem coisa mais imbecil do que ficar respondendo imbecil? Então, eu respondo! E depois me sinto horrível.
Ai, ai, ai, é isso.
...o silêncio é mesmo de ouro!