Contraí uma grande dívida para com as palavras, elas que sempre foram minhas amigas, companheiras, que sempre mitigaram minhas dores e angústias à medida que permitiam que, através delas, eu as dividisse com esse espaço indefinido, que as esparsasse em papéis, caderninhos, agendas; elas que, de alguma forma, são meu ganha pão, já que, talvez, setenta porcento do meu trabalho seja escrever.
Há muito não divido com essas minhas amigas o que de importante tenho trocado com a vida, não as tenho dito e dito por elas o que trouxe e o que deixei por esses caminhos que tenho experimentado, e foram muitas coisas, muitas trocas que me fizeram rir, chorar, que me apuraram, me forjaram, me fizeram outra sendo a mesma. Essa transformação mágica que a vida faz.
Volto aqui, pois, para fazer as pazes com essas companheiras, para dizer que as quero de novo perto de mim, numa relação íntima e estreita. para elas quero voltar a confessar minhas aventuras, desventuras e sentimentos e reprisá-los todos por meio delas, compreendê-los e vivê-los de uma maneira melhor e mais colorida.