quinta-feira, outubro 11, 2007

Nunca Mais!

É estranho como sou pateticamente reincidente nas coisas que juro perante Deus e o espelho nunca mais fazer.
Obviamente, esses juramentos são encharcados e balbuciados com dificuldade em meio ao choro, porque eu não sou dada a abstenções sem uma boa razão de ser e nem disponho de muito luga para a culpa na bagagem - nem todos os comprimidos de valium te livrarão da desgraça se você tiver culpa.
O fato é que esses juramentos cheios de lágrimas, sangue e solenidade são sempre quebrados e, junto com eles, quebra-se a minha cara.
Hoje pensei nisso como alguém que insiste em pousar a mão sobre uma panela quente, queimando-se vez após vez. Isso me pareceu tão insuportavelmente estúpido, que eu fiquei pensando se, a despeito de perceber que o resultado não foi bom, eu ainda não consegui haurir a lição que eu precisava aprender com cada uma dessas burradas [existe mesmo essa história de que cada burrada ensina uma lição, ou eu só estou de espertinha mitigando minha idiotice?], porque é uma auto-sabotagem tão idiota fazer o mesmo mais de uma vez esperando resultados diversos... aaaarrrr

Eu juro que nunca mais vou jurar sobre o que nunca mais fazer. :S

sábado, agosto 11, 2007

A minha dor é maior porque é [minha].

Há poucas coisas no mundo que me irritam mais do que a - admito, bem intencionada - tentativa de consolar-me de meus pequenos (ou não)
problemas com os outros grandes problemas que assolam seres mais desgraçados do que eu naquele momento.
Seu namorado te deixou: Tem gente agora no cemitério chorando a morte da mãe;
Sua mãe morreu: Tem gente no hospital inconsciente sem poder acompanhar o funeral da mãe que morreu;
Você está no hospital: Tem gente que morreu!
Aí, você morre: vai alguém ao seu funeral contar pra sua mãe sobre a história da mulher que perdeu os três filhos em um deslizamento de terra.

Eu sei que perder a mãe, certamente, implica uma dor muito maior do que a dor de perder um namorado; e perder um namorado é uma dor muito maior do que a dor de derramar acetona naquele vestido que você iria usar pela primeira vez (dependendo do namorado, né?)...é claro, isso aí todo mundo sabe. Existem dores e dores.
Entretanto, por mais que se tenha solidariedade, empatia, para com os problemas alheios, a dor só doi em quem experimenta, quem calça o sapato...não existe isso de mitigar a tua dor com a dor do outro. Isso me parece tão óbvio que nem consigo falar mais do que isso sobre a questão.
E, cá entre nós, não é meio bizarro isso?

Agora é a hora de vocês me chamarem de egoísta. :p

quinta-feira, agosto 02, 2007

A Lista

Primeiro, foram as cores de Sylvia Plath. Eram todas muito vivas, fortes, e não eram as cores que coloriam os bancos das praças, os brinquedos e o céu da minha infância belo horizontina.
Era, na adolescência, minha introdução ao desespero de libertação daquilo que luta pra ser indizível...Uma luta sangrenta mas linda, cheia de cores, astros, frutos, flores, metais e terra.
Via cair morto o mundo inteiro até o pavor da cegueira de Saramago, e agora a dúvida sobre o que se impõe ao homem com mais fúria, o inexprimível ou o invisível, que nos faz andar tateando como crianças desoladas pelas escuras e tortuosas avenidas engenhadas pela própria mente...sem a ajuda de ninguém!
Do lado de fora, sentia queimar a pele o sol de Rachel de Queiroz, pai austero que dá a vida, o pão e o castigo...o castigo de lágrimas e sentimentos ressequidos pela sanha da sobrevivência, no meio da pobreza que brutaliza e do cheiro de morte entranhado de poeira.
Mas a morte não deveria, afinal, ser grande coisa pra todos nós que já fomos cadáveres antes de nascer. Com Augusto dos Anjos aprendi a sorrir para o dragão, talvez tentando distraí-lo, talvez tentando convencer a mim mesma de que não terei medo do dia em que chegar a minha vez de enfrentar seus dentes dourados.
E, finalmente, com Goethe soube do pequeno atalho, que só mostra com propriedade sobre como não sabemos absolutamente nada das coisas sobre as quais discorremos com uma pretensa sabedoria todos os dias. Não há nada sobre o que se saiba e o único ato de controle possível nesse curioso episódio que é a vida, é a libertação total e final do próprio espírito.

quinta-feira, julho 12, 2007

Se os tempos forem nublados, estarás só.

A gente passa a vida lidando com essa certeza que, provavelmente, nasceu junto com as primeiras adversidades...se preparando pra solidão dos dias funestos.
Somos deixados, e é impressionante que a gente passe grande parte da vida - ou talvez uma vida inteira - ignorando o fato de que também nós deixamos...talvez, por acreditar que absorvemos muito bem todos os preceitos clichês do que é, afinal, ser amigo de alguém e, envolvidos por nossas próprias urgências, demandas e vontades acreditamos, pra que o sono venha ao fim do dia, estarmos desempenhando esse papel também a contento.
Vertam lágrimas pelos amigos deixados envoltos em sua própria sombra..e que os deuses as recolham e as façam chover sobre a sequidão solitária dos nossos dias maus.

sábado, junho 09, 2007

"Como gostaria de acreditar na ternura"

Chega um momento na vida em que você decide se segue acreditando - ou querendo acreditar - na ternura, ou se você simplesmente aprende a lidar com as pessoas.
Aos que optam pela primeira alternativa, a sensação eterna de inadequação...talvez, isso seja algo com que se possa conviver.
Eu cheguei a este momento com esse anseio achado nos versos de Sylvia Plath...talvez também, já respondido por Drummond:

Preferiram (os delicados) morrer.

quinta-feira, maio 24, 2007

O meu maior defeito é...é...er....é.....hã

Hoje, conversava com uma amiga que me contou ter visto um programa de TV ontem em que uma das apresentadoras dizia que seu maior defeito era a inveja.
Segundo ela, as outras pessoas que dividem com ela a apresentação do programa ficaram surpresas por estarem diante de alguém que assumiu com tanta naturalidade e - aparentemente - sem nenhum medo de ser julgada negativamente por isso, que era invejosa.
Eu também fiquei surpresa. Nunca, em toda minha vida, ouvi alguém se assumir invejoso.
Fiquei pensando na nossa relação com os nossos defeitos, não aqueles defeitos q, dependendo das circunstâncias são até charmosos - quem não tem um amigo ranzinza que acaba sendo super engraçado e até fofo - de que a gente fala numa boa.
São aqueles defeitos cabeludos, carne de pescoço mesmo, inconfessos..aí eu concluí que, pelo menos no plano da consciência, a gente tende a não estabelecer relação nenhuma com esses defeitos, ou só fazemos isso quando os apontamos nos outros (aquela velha história de que reconhecemos nas outras pessoas os defeitos que nós mesmos possuímos).
Depois que eu voltei pra casa, fiquei tentando achar o meu pior defeito, pior mesmo... não aquela coisa: Puxa, por vezes sou tão chatinha ou mal-humorada!!
Queria uma coisa do peru mesmo! Mas sempre que eu pensava em alguma coisa, dizia pra mim mesma: Nããããooo...isso também não, né???

Bom, fiquei com inveja da moça que teve peito de se dizer invejosa. :P

segunda-feira, maio 21, 2007

Tudo!!

Ele tinha os olhos fitos no horizonte, como se procurasse algo pra encher seus olhos vazios.
É realmente uma paisagem de encher os olhos, que a gente já conhece muito bem, desde os primeiros anos da juventude, quando nos reconhecemos como amigos.
Estavamos ali já havia muito tempo, uma tarde inteira...foram várias garrafas, muitas divagações, muito Pixies e muito tempo silente também.


- Nós precisávamos ter braços maiores, Giza. Braços muito maiores! Decidir o que quer que seja é uma maldição, eu queria tudo, absolutamente tudo em generosas porções.

Estendi meus braços largamente e o envolvi num longo e terno abraço. Isso, em vários momentos da vida, não é absolutamente tudo?

:)


terça-feira, abril 17, 2007

...

Hoje ao acordar cumpri a rotina que me salva da extensão daquela confusão matinal dia à fora.
Depois de me ocupar das pequenas tarefas que me dão a sensação de poder ir adiante, olhei meus livros e anotações (que já há alguns dias, esperam por minha atenção), me lembrei de desligar o telefone e concluí que os livros teriam que esperar um pouco mais, e que dessa vez minha invariável mania de desafiar o transcorrer do tempo iria um pouco mais longe.

Me sentei no sofá, senti meus cabelos molhados sobre as costas; e no rosto, o vento de um "ensaio de outono". E depois de me sentir confortável e aconchegada no cheiro do meu shampoo, da minha própria pele e a disposição costumeira das coisas em minha sala, me permiti soltar ao chão por um minuto essa minha necessidade de manter tudo sob controle, e fui colocando diante dos meus olhos, frontalmente, todos os meus medos e as perguntas para as quais ainda não tenho resposta.

Senti aquela sensação de quem se equilibra, precariamente, pela primeira vez em uma bicicleta..e cambaleando, entre o medo de estatelar-se e o vento soprando a fronte e levantando os cabelos, descobre que uma coisa não é possível sem a outra...até que não se consiga conceber a idéia de resguardar-se em detrimento de tudo que existe por trás das portas do nosso coração.

sexta-feira, abril 13, 2007

Da série: Insira um Cérebro Aqui.

Que os deuses não me deixem perder a fé nas pessoas. :P


Eu achei essa pérola pelas inusitadas terras orkutianas, o detalhe é que há toda uma "causa" construída ao redor da questão. Jesus!!!

Você quer saber por que troquei as rosas do menino João Hélio por esse bebêzinho lindo???

Muito prazer, te apresento o PEQUENO BEBE SEM PÁTRIA.

Ele me diz que está feliz por te ver.

Mas diz que está triste.... pois o destino dele é esse, ser um apatriado.

Por quê?

Bem.... vou contar a história desse bebê prá vocês.

Esse bebê nasceu a partir de 1994, fora do Brasil.
Assim como esse bebê, muitos estão nascendo.
A partir de 1994, ele, e todos os outros bebes filhos de BRASILEIROS, estão recebendo PROVISORIAMENTE a nacionalidade brasileira.

Ao ser registrado na repartição consular, recebe o passaporte brasileiro, e o "privilégio" de poder optar por ser brasileiro ao completar 18 anos, a qualquer tempo...

PERA AÍ!!!!!
COMO ASSIM? OPTAR A QUALQUER TEMPO????

Sim. A partir de 18 anos, esse e muitos bebes, então jovens, NÃO SERÃO MAIS BRASILEIROS! Ora, se fossem, por que necessitariam de optar, não é mesmo?

Bem-vindo ao mundo dos BRASILEIRINHOS APÁTRIDAS!
Não, não estamos felizes. Neu eu, nem o bebe sem pátria.
Só ficaremos felizes, se você nos ajudar nessa causa.

POR QUE AJUDAR?

Quem está nascendo em países JUS SANGUINIS, como Japão, Alemanha, Suiça, etc... aos 18 anos será um APÁTRIDA. Isso é muito grave!

Quem nasce em países JUS SOLIS como os EUA, também vai sofrer....
Pois os EUA (e muitos outros países) NÃO ACEITAM 2ª NACIONALIDADE REQUERIDA.
-Ora, se esse jovem americanozinho, aos 18 anos, optar por ser brasileiro... é opção, certo? Se é opção, subentende-se que não quer mais ser americano. Esse jovem CORRE O RISCO de perder a cidadania americana.
Os EUA e outros países SÓ ACEITAM a 2ª nacionalidade se ela for ADQUIRIDA.
Esse jovem teria adquirido a nacionalidade brasileira, se no ato do registro no consulado, ele já fosse considerado brasileiro.

quarta-feira, março 14, 2007

Da série "Coisas estranhas que (provavelmente) nunca irei entender"

É assustador como esse rol de coisas estapafúrdias que não entram em minha cabeça, a despeito de toda minha boa vontade e curiosidade, aumenta em velocidade assustadora.
Ontem, passando pela porta de uma faculdade (?), me deparei com o anúncio de um novíssimo curso com a devida portaria do ME(rda)C...o curso, pasmem, era de Bacharel em Louvor e Adoração (?!?!?!).
Como o trânsito estava mesmo uma droga, juro que diminuí o som pra tentar conceber que diabo é um curso de Bacharel em Louvor e Adoração...e frustrada, quedei vencida, sem ter a menor idéia de que raios é isso, afinal.
Contudo, cogito a possibilidade de juntar um dinheiro, alugar um galpão e ter a minha própria e fantástica fabriqueta imoral de diplomas e fazer meu pé de meia.
Aceito propostas de parceria.

sábado, fevereiro 24, 2007

Sobre Amigos e Inimigos

A virtude não é só bem escolher os amigos, há que ser valoroso também o adversário.
Chamar a qualquer verme de inimigo, não é boa coisa.
Diga-me com quem andas que te direi quem és. Também digo quem é você, se me disser a quem quer fazer tropeçar. ;)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O Fotógrafo

Os fotógrafos talvez sejam filhos de Cronos. Percebi que eles sabem lidar com o tempo de uma forma que o resto da humanidade parece insistir em não aprender.
Eles foram os iluminados que entenderam que a eternidade está contida e é esgotada em cada momento, especialmente.
Não há outra eternidade que seja possível pra nós, só a desse exato piscar de olhos que não se repetirá no mesmo contexto jamais.
O afago; o beijo; os olhares; a palavra; o silêncio; a dor; a contemplação; o gesto; o nada e tudo mais que couber em um instante.
Essas pequenas e grandes coisas, que enchem os olhos esclarecidos dos fotógrafos e que eles capturam, nos apontando aquela que é a verdade.
Uma fotografia é o retrato da eternidade possível. Essa é a verdade. Todo o resto é só vã especulação de meros sonhadores que inevitavelmente, perecerão diante desse carrasco que não dormita nunca. Esse tal Tempo.





segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Terapia Junguiana

Estou me convencendo de que ser frequentemente dispensada pouco após os quinze primeiros minutos da sessão de terapia - que deveria ter uma hora - é um sinal positivo.
Oh, Lord.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Se a palavra é de prata...

Se fosse pedido pra que as pessoas que me conhecem me definissem, em um lance como aquelas vexatórias fitas de depoimentos que você recebe no seu aniversário, ou em uma análise botequística em que uns discorrem sobre os outros, transformando a bebedeira em declarações públicas de afeto e terapia de grupo, tenho certeza que um ponto comum em todos os comentários seria o fato de eu ser uma grande tagarela.

E isso é a mais pura verdade. Sou tagarela assumida e feliz. Adoro falar, adoro as palavras e falo pelos cotovelos. Sou assim desde que me entendo por gente.
Mas sou uma tagarela-de-bom-estilo. Falo baixo, pausademente. Ah, e a despeito da minha falação, aprendi com os cultores do silêncio da minha família, a ser uma boa ouvinte também. Gosto de ouvir, melhor ainda se for um falante como eu, adoro encontrar por aí burrinhos do Shrek.

Nunca considerei minha tagarelice, necessariamente, uma virtude, embora, graças a ela, eu jamais tenha, por exemplo, me sentido deslocada ou isolada em um lugar em que eu estivesse pela primeira vez, ou diante de pessoas com quem nunca tive contato antes. Mas o fato é que nunca a considerei uma virtude, tampouco, um vício. Era só uma característica, aliás, uma das minhas mais marcantes.

Bom, mas no meu caso, ao menos, uma característica que traz amarrada em si uma coisa boa e uma ruim, eu me deparei, esses dias, com meu medo terrível da solidão.

Eu achava que estava aprendendo a apreciar minha própria companhia, tudo bobagem. Fico em casa sozinha e converso com os cactos (são oito e todos eles têm nome), converso com o Homer (meu mezzo fox paulistinha mezzo outra-coisa-que-não-sei, que anda muito dengoso ultimamente, mal de cabeça – literalmente).

O silêncio me assusta. Caramba, como assusta! Não aquele silêncio que compreende todas as palavras, que a gente experimenta ao lado de algumas pessoas especiais, nem aquele à que temos que ceder pra cabeça poder funcionar. É o silêncio da ausência de tudo mesmo, aquele danado.

Isso também traz outros infortúnios, como por exemplo, o fato de você não conseguir deixar de responder aos imbecis. E tem coisa mais imbecil do que ficar respondendo imbecil? Então, eu respondo! E depois me sinto horrível.

Ai, ai, ai, é isso.

...o silêncio é mesmo de ouro!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Você acha que é muito nobre, que é fidalgo, que é celestial.
Mas deixe que eu te diga a verdade: você é um fraco! Um fraco, não por ter limites, mas por temê-los de forma tão pusilânime, por se deixar subjugar por eles.
Você é tão covarde que se fez cativo, só para abandonar a idéia de dar um sentido a teus dias, porque todo mundo sabe que o sentido da vida do serviçal não é outro que não o de servir ao seu senhor.
Você virou a sombra de um senhor em que nem sabe se acredita, pois não pode questioná-lo.
Você merece os grilhões, a ponta do chicote e o ferro em brasa.
Você merece toda sorte de ultraje.
Escravo!
Não, eu não estou te amaldiçoando. Não que eu não queira fazê-lo, mas eu não preciso.

Sem mais.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Em nome de Deus!

Encontre um homem que te chame de linda em vez de gostosa. Que te ligue de volta quando você desligar na cara dele. Que deite embaixo das estrelas e escute as batidas do seu coração, ou que permaneça acordado só para observar você dormindo. Espere pelo homem que te beije na testa. Que queira te mostrar para todo mundo mesmo quando você está suando. Um homem que segure sua mão na frente dos amigos dele. Que te ache a mulher mais bonita do mundo mesmo quando você está sem nenhuma maquiagem e que insista em te segurar pela cintura. Aquele que te lembra constantemente o quanto ele se preocupa com você e o quanto sortudo ele é por estar ao seu lado. Espere por aquele que esperará por você... Aquele que vire para os amigos e diga: É ELA !!!
Você merece tudo de BOM








Eu tenho me deparado com esse texto em várias páginas de scraps, profiles e legendas de álbuns por aí no orkut...Olha, algumas vezes eu já achei que tivesse tido o dedo podre, como diz a minha avó, mas descrever isso aí como jóia rara, é soda..eu preciso perguntar: Onde diabos essas garotas arrumam namorado? Em rinhas de galo??