Eu havia prometido nunca mais te dar uma noite, nem uma palavra, cá estou eu, te dedicando outra noite e outras tantas palavras – sem lágrimas dessa vez.
Não sei o que foi feito de sua vida, confesso que passei muito tempo sem pensar nisso, e mesmo hoje, não sei se gostaria de pensar nas infinitas possibilidades que te miravam de longe, enquanto você me dava as costas pela última vez, definitivamente.
Mas no que ficou pra trás, pensei, sim. Pensei muito. E fui, como é previsível, evoluindo daquela dor lancinante causada por memórias frescas à simples constatação de que foi uma página da minha história, com a qual aprendi, sorri, chorei, vibrei, tive medo, fui resoluta; e todos os capítulos são assim.
Hoje já não há culpa. Amargura nunca houve, isso eu não permito. Há só aquele valor e apego que a gente atribui a fotos antigas que não ocupam porta-retratos, a elas fica melhor o fundo da sua gaveta, ou o meio de um livro.
Não fazíamos planos, já certos de que eles nunca se realizariam – eu tinha bronca com sua recalcitrância em planejar - mas esse foi o lance da história, aí o nosso grande mérito: dançamos a valsa sem ouvir o som, e nossos passos foram firmes e graciosos.
À revelia de tudo, fizemos o que queríamos fazer. É a capacidade de provar da felicidade em estado bruto, aquela que prescinde de uma esperança no amanhã, e isso já é justificativa que chegue. É aquela falta de esperança que obriga com que os doentes terminais sejam felizes de qualquer jeito, com o tempo que lhes resta, com o vigor que lhes resta. No peito e na marra.
E, quem sabe, a esperança seja o melhor instrumento pra se adiar a nossa inarredável obrigação de ser feliz?
Já dizia o Barão de Itararé: “a esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados”. Tenho repetido essa frase com bastante freqüência ultimamente e acho que vou inscrevê-la nos umbrais do coração. Eu não quero esperança, quero ser feliz sem ela, como fui nos nossos dias, na nossa história que era uma “doença terminal do coração”, era o que você me dizia.
Nunca gostei de dizer, mas como não tenho mais 18 anos, admito sem muita contrariedade: Você tinha razão! E educada, agradeço: Obrigada pela lição.
sexta-feira, novembro 17, 2006
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Estes textos são fictícios ou se baseiam na realidade?
ResponderExcluirEstá escrevendo bem, pode ser escritora.
Obrigada, LF. Os textos se baseiam na realidade e tb em alguns devaneios. Ah, vc me conhece, né?
ResponderExcluirThnx, boy.
;**
Certo
ResponderExcluir;)
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