
Há pouco tempo atrás, decidi não mais fazer resoluções de ano novo, porque elas só serviam pra fazer com que eu me sentisse ridícula - e dependendo da inspiração melancólica do dia - com 365 dias perdidos ou mal aproveitados no reveillon seguinte...e aí, manda descer whisk.
Então, embora tenha mostrado meu dedo médio para essas promessas que a gente faz na última reunião do ano com os amigos, foi impossível escapar daquelas reflexões que, mais cedo ou mais tarde, em um banho ou em uma noite ínsone te pegam nos primeiros fôlegos dessa nova sequência de doze meses.
Eu pensava sobre o quanto o tempo me parece estar passando rápido, em como pareceu ter sido ontem outros janeiros, em como pareceu ter sido semana passada eventos, datas e momentos que já estão consideravelmente distantes, em como os dias se confundem uns nos outros em uma marcha que parece cada vez mais frenética.
E, de repente, eu me percebi tão mergulhada em questões que deveriam ser periféricas, estar ao meu redor e não, de maneira alguma, ocupando o centro da minha vida.
Como a minha felicidade tem servido - e se sacrificado - às coisas que, na verdade, deveriam concorrer pra que eu fosse mais feliz, tivesse mais conforto, enfim, a ordem das coisas está completamente invertida. E por ser realmente muito convicta de que a vida, em si e por si, não tem sentido algum e que você precisa emprestar-lhe uma razão de ser, temi pelos meus próximos janeiros, meus próximos aniversários e por um fim de estrada em que eu me pergunte: "Pra que, afinal, foi isso tudo?", e não consiga nenhuma resposta além de "nada".
E aí foi impossível não tomar a resolução - não uma resolução de ano novo, mas uma resolução a propósito do pensamento que o ano novo me trouxe - Eu, eu e eu em 2009!
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