Primeiro, foram as cores de Sylvia Plath. Eram todas muito vivas, fortes, e não eram as cores que coloriam os bancos das praças, os brinquedos e o céu da minha infância belo horizontina.
Era, na adolescência, minha introdução ao desespero de libertação daquilo que luta pra ser indizível...Uma luta sangrenta mas linda, cheia de cores, astros, frutos, flores, metais e terra.
Via cair morto o mundo inteiro até o pavor da cegueira de Saramago, e agora a dúvida sobre o que se impõe ao homem com mais fúria, o inexprimível ou o invisível, que nos faz andar tateando como crianças desoladas pelas escuras e tortuosas avenidas engenhadas pela própria mente...sem a ajuda de ninguém!
Do lado de fora, sentia queimar a pele o sol de Rachel de Queiroz, pai austero que dá a vida, o pão e o castigo...o castigo de lágrimas e sentimentos ressequidos pela sanha da sobrevivência, no meio da pobreza que brutaliza e do cheiro de morte entranhado de poeira.
Mas a morte não deveria, afinal, ser grande coisa pra todos nós que já fomos cadáveres antes de nascer. Com Augusto dos Anjos aprendi a sorrir para o dragão, talvez tentando distraí-lo, talvez tentando convencer a mim mesma de que não terei medo do dia em que chegar a minha vez de enfrentar seus dentes dourados.
E, finalmente, com Goethe soube do pequeno atalho, que só mostra com propriedade sobre como não sabemos absolutamente nada das coisas sobre as quais discorremos com uma pretensa sabedoria todos os dias. Não há nada sobre o que se saiba e o único ato de controle possível nesse curioso episódio que é a vida, é a libertação total e final do próprio espírito.
quinta-feira, agosto 02, 2007
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Que grande Dragão poderoso é vc, hein, amiga!
ResponderExcluirCores de Silvia Plath viram fichinhas pressurizadas que o carrasco de Raquel de Queiroz vai ter que engolir!
Um beijão.
Que lindo, Gis. É a lista dos seus autores preferidos?
ResponderExcluirSaudades.
Beijos.
1. Dizer que adorei o texto e que a Senhorita como sempre matou a cobra, o dragão, matou todo mundo.
ResponderExcluir2. O inverno está acabando e a "adega" de nossa sacerdotisa de Dionísio não foi aberta. arrrrr
3. Pára de estudar um pouco e sobe ao mundo dos vivos. porra. já estou me sentindo um burrão.
Olá Giselle
ResponderExcluirGosto do teu blog.
Costumo vir aqui, de vez em quando.
Ainda não pude ler a todos os textos, mas é bom que você mantém ele atualizado.
Eu comecei a escrever com mais frequencia no meu....se quiser acessar, esteja a vontade.
Concedo a você a oportunidade!
hahah
Espero que você esteja bem.
Até mais