quinta-feira, outubro 26, 2006

Dama Branca


A dama branca assiste a tudo de maneira indiferente.
Do alto de sua morada, ela já conhece esse pranto.
E o último passo do destino, como aquela que foi a primeira
a sorver o amargor.

Ela se move arrastando a orla de seu vestido de seda pelo firmamento.
Por entre luminares que perecem, arrefecidos com sua presença.
O tempo não tocou seu rosto.
Não há vincos, porque ela não quis chorar.

Mas sempre há a dor dos que não sofrem.
Que a tudo esvazia e a tudo torna branco.
Branco e luminoso como a face dela.
A face que enfeita tudo que ela não quis.


(26-IV-2006)

2 comentários:

  1. Estou cá a pensar na dor dos que não sofrem....
    Amei, gatita!!!

    Bjos

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  2. é uma dor mto pior q a nossa, lindeza. Se isso serve de consolo.
    Carinho não se agradece, mas q diabo: obrigada por ser sempre e invariavelmente tão maravilhosa.
    Bjs.

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